domingo, 17 de agosto de 2008

CECILIA MEIRELES

Tão longe tão perto;2002
Ast-MonicaCella
Quarto crescente 1999;
Ast-Monica Cella

É preciso não esquecer nada

É preciso não esquecer nada: nem a torneira aberta nem o fogo aceso,

nem o sorriso para os infelizes

nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta

nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto, o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos, a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos, vigiados pelos próprios olhos severos conosco, pois o resto não nos pertence.

CECÍLIA MEIRELES (1962)

http://www.revista.agulha.nom.br/ceciliameireles04.html#preciso

sábado, 16 de agosto de 2008

Castelos geometricos
as/eucatex
Castelos geometricos II
As/eucatex
Canção - Cecilia Meireles Pus o meu sonho num navio e o navio em cima do mar; - depois, abri o mar com as mãos, para o meu sonho naufragar Minhas mãos ainda estão molhadas do azul das ondas entreabertas, e a cor que escorre de meus dedos colore as areias desertas. O vento vem vindo de longe, a noite se curva de frio; debaixo da água vai morrendo meu sonho, dentro de um navio... Chorarei quanto for preciso, para fazer com que o mar cresça, e o meu navio chegue ao fundo e o meu sonho desapareça. Depois, tudo estará perfeito; praia lisa, águas ordenadas, meus olhos secos como pedras e as minhas duas mãos quebradas