quinta-feira, 30 de abril de 2009






Os poetas, os sonhadores, os inventores, os fazedores de coisas 


 Costumo imaginar o mundo como um grande lugar de acontecimentos. E todos os seres que habitam esse lugar, como protagonistas desse grande acontecimento. Únicos em seu modo de ser, pensar, viver e sentir. 


Os poetas, os sonhadores, os inventores, os fazedores de coisas, os anárquicos, os matemáticos, os engenheiros....

A diversidade de peculiaridades que compõe os seres humanos, nos torna únicos. A pluralidade dessas existências é importante para a transformação do mundo. Cada um contribui com seu modo único de ver e vivenciar as coisas que o cerca. Isso enriquece o planeta e permite que avance sempre em direção ao crescimento e desenvolvimento. Fico imaginando nos bilhões de seres existentes no planeta terra, e nas suas características peculiares. Não existe um só ser igual ao outro. Somos feitos da mesma matéria, mas formados por combinações de diferentes fatores e muitas outras questões definem desde nossa aparência, até nosso modo de estar e agir no mundo. Valorizar as diferenças é um passo importante pra criar acontecimentos propulsores de melhorias e transformações. Nossas diferenças podem atuar modificando muitas coisas ao nosso redor. Cada um a seu modo, dentro do seu universo, tem a capacidade da transformação. Influenciar e reelaborar o mundo e os seres ao seu redor. Com gestos, atitudes ou comportamentos. Somos poetas, fazedores de coisas, matemáticos, educadores, inventores, pensadores ou simplesmente sonhadores. O mundo precisa de todos. Cada um existindo de acordo com sua própria maneira de estar aqui e fazendo a diferença. Os implementadores colocando em prática as coisas do mundo físico, concreto, tão necessárias ao nosso conforto material. Os inventores, parindo coisas e idéias pra tornar o mundo um lugar mais fácil e prazeroso de se viver. Os poetas, alimentando a alma como seus versos de luz, amor, dor e sonhos. Os pensadores e sonhadores, voando alto com sua imaginação, buscando respostas e fazendo perguntas, investigando nosso ser e nosso espírito.
Somos todos e um só nesse grande acontecimento que todos os dias bate na nossa porta nos convidando pra participar e fazer nossa parte. “Nunca pisamos no mesmo rio duas vezes...” (Hieráclito).

domingo, 19 de abril de 2009

SAUDAÇÃO -EZRA POUND

SAUDAÇÃO
Oh geração dos afetados consumados
e consumadamente deslocados,
Tenho visto pescadores em piqueniques ao sol,
Tenho-os visto, com suas famílias mal-amanhadas,
Tenho visto seus sorrisos transbordantes de dentes
e escutado seus risos desengraçados.
E eu sou mais feliz que vós,
E eles eram mais felizes do que eu;
E os peixes nadam no lago
e não possuem nem o que vestir.
Ezra Pound
(tradução de Mário Faustino)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Pão e Poesia



Pão e poesia



A sabedoria da natureza está presente a todo o momento no dia a dia da vida da gente. 
É só olhar pros lados com mais cuidado e atenção, que a gente percebe isso. 
Mas como é difícil para muitos olhar pros lados! (e pra frente e pra cima e pra baixo, e pra dentro...). 
Como a maioria das pessoas leva uma vida mais agitada e cheia de pressa pra tudo, acaba nem enxergando de verdade muitas coisas interessantes que estão bem ali, na ponta do nariz. Todos os dias temos um grande espetáculo de graça acontecendo e nem mesmo nos damos conta disso. Um espetáculo silencioso, anônimo. 
Tornamos-nos assim. Em parte porque fomos treinados, habituados (palavrinha que não deveria existir), desde a infância a nos preocuparmos com coisas “maiores”, “mais importantes”, coisas de gente grande, num mundo feito pra gente grande. Escola, tarefas, curso disso, curso daquilo... Já viu uma criança brincando!? Elas se envolvem com coisas miúdas, “insignificantes”. Completamente. Coisas simples e corriqueiras. Nem precisam de brinquedos pra se divertir. Aliás, quanto menos, melhor. Sensibilidade a flor da pele. Poesia no dia a dia. 
Depois, quando nos tornamos adultos ficamos o tempo todo ligados em “grandes acontecimentos”, espetáculos que “falam alto”, que gritam. Ornados de preferência, com muito brilho, verniz e colorido. E assim é o mundo em que vivemos, onde só aparece aquilo ou aquele que grita mais, que aparece mais. O mundo do entretenimento. 
O resto!? Bem o resto é anonimato, tá fora do circuito, dos acontecimentos "importantes". Nossa cultura, nossa formação sócio-econômica, nossa educação, enfim muitas coisas determinam nossa postura e nossa maneira de estar e perceber o mundo que nos cerca. Somos treinados pra conquistas, isso é indiscutível. Nossos verbos prediletos são: obter, possuir, conquistar, ganhar, ter, e outros tantos sempre relacionados com coisas físicas, materiais, relacionados à nossa própria vaidade. 
Aquela outra parte no nosso ser que contempla, sonha e se alimenta de poesia e de encanto, de delicadezas e de arte (sim arte! tão necessária pra alma quanto a comida pro corpo). Essa parte, geralmente submerge, dorme latente um profundo sono, onde nem sequer existe o sonho. Eu sei, eu sei, tem que ganhar a vida, comprar casa, ter conforto, se divertir, pagar as contas no final do mês, porque elas existem faça chuva ou faça sol. E não fazem parte de nenhum “mundo onírico”, ou poético, enfim. Todos temos desejos: queremos usufruir do melhor que o mundo pode nos oferecer.Inclusive no aspecto material. Mas meu discurso é mais pretensioso, pretende ir mais além. Acredito que poderíamos ter ambas as coisas. Usufruir as “conquistas”, pagar as contas e também dar espaço para o ser único, lúdico que mora a nossa alma. Apesar de habitarem lados opostos, podem muito bem conviver em harmonia. É só parar um pouco. Reorganizar (ou desorganizar!??!?) a rotina. Olhar pros lados, pra cima, pra baixo, pra dentro... Pôr tudo de cabeça pra baixo. 
Sim, só por alguns momentos... Esquecer da tarefa, da obrigação, do fazer-tudo-igual-todo-dia. Chacoalhar a cabeça e o coração. Se dar uma chance, uma oportunidade, no meio do barulhento dia a dia. No meio de “tantos-compromissos-inadiáveis”. Dar uma volta no parque, na praça, no campo ou na praia... Sei lá! Vagar pelas ruas despretensiosamente, só pra passear. Olhando tudo ao redor. Sentar num café, só por estar ali, assim sem nenhuma ambição. Ficar mais tempo em contato com a natureza. De dentro e de fora. 
Não é tão difícil assim... 


Amst, 16 de Abril 2009.

domingo, 5 de abril de 2009

RICHARD AVEDON

Samuel Beckett, writer, Paris, April 13, 1979. Jacob Israel Avendon (artist's father), Sarasota, Florida, December 19, 1972. Ezra Pound, poet, Rutherford, New Jersey, June 30, 1958.


O olhar da fotografia



Está acontecendo aqui em Amsterdam a exposição de fotografias de Richard Avedon: 


‘Avedon Photographs 1946-2004’.

A exposição acontece no:
FOAM_Fotografiemuseum Amsterdam 
*Começou em 13 de Feveveiro e segue até 13 de Maio 2009.

Interessante perceber como o olhar que retrata as imagens supera o próprio ícone por trás delas, e consegue abstraí-las. A imagem que chega até o espectador é simples.Intensa. Personalidades de famosos e anônimos se misturam nas imagens de Avedon. São retratos, fotos de moda, pessoas ilustres do mundo do cinema, literatura,do teatro, da dança, etc. Os retratos se destacam. Pelas lentes de Avedon, se apresentam aos espectadores de forma direta, objetiva, clara e limpa. O olhar do artista, perpassa pelo invisível por trás da aparência de cada figura. Mesmo as personalidades de famosos, rostos conhecidos da mídia, pelo olhar de Avedon tornam-se mais humanos, mais próximos, mais mortais. Seres com sentimentos, angústias, dores e vida. O que mais me chamou a atenção, foram os olhos dos retratados.Um olhar direto que prende por inteiro, rapta pra dentro daquela imagem, da estória daquele ser. Para alguém que se submete a uma sessão fotográfica, não é nada fácil deixar cair as máscaras, a pose, libertar-se da vaidade, ser quem realmente se é, simples e espontaneamente. Sem constrangimentos. Isso Avedon consegue fazer. Captar o essencial. A espontaneidade do gesto, do sorriso, do olhar. O significado das rugas, das expressões, da passagem do tempo, ...
E consegue proporcionar um deleite estético. Mas não só isso. O olhar de Avedon, é benevolente, amoroso.
Também interessante notar, que, quanto mais avançada a idade dos personagens, mas despidos se mostram, mais autêntica é a mensagem. O passar do tempo leva embora a juventude do corpo, mas fica com certeza a beleza da integridade, da totalidade do ser, mais humano e paradoxalmente mais próximo da Divindade. Avedon confirma a idéia.
Depois que vi a exposição, me senti instigada a pesquisar mais sobre fotografia e fotógrafos. 


Encontrei dois sites muito legais:
Uma viagem ao mundo das lentes e de múltiplos olhares.
Através da câmera, o artista se coloca na imagem e dá seu testemunho do mundo em que vive. Mais do que congelar aquele momento, ou registrar algo momentâneo, o artista capta a essência da coisa fotografada, do ambiente que a circunda. Intensidade, sentimentos, emoções e muitas sensações são a matéria prima da qual são feitas as fotografias. Registros poéticos do quanto humanos nós somos.

*FOAM_Fotografiemuseum Amsterdam Keizersgracht 609
1017 DS Amsterdam
The NetherlandsT +31 (0)20 551 6500
Open daily from 10am to 6pm, thu/fri 10am to 9pm.
Closed: jan 1th, 30 April (Queensday)
Foam can be reached by tram: 16, 24, 25 stop 'Keizersgracht'.