quarta-feira, 23 de setembro de 2009

ELEPHANT PARADE- Edição AMSTERDAM

A história toda começa bem longe daqui. É uma linda história de amor.
Amor pelos animais, pelo planeta terra, pelo respeito, pela integridade do homem no planeta, e tudo de bom que se relaciona a isso.
Começou na Thailandia, quando ainda garota, Soraida Salwala viajava com o pai e irmãos pelo nordeste do país. Quando de repente no caminho, encontraram uma cena que a tocou e mudou profundamente sua vida: um homem chorava, ao lado de um elefante caído na estrada. O homem devia ser o proprietário do elefante.
Para uma criança de oito anos, aquilo foi um choque muito grande. Subitamente Soraida pede ao pai que pare o carro. " O que aconteceu com o Uncle elephant ?!" pergunta ela.
O pai pára o carro e desce, mas não deixa a garota descer. Curiosa, ela tenta escutar o que se passa, sem sucesso. Mas pode perceber que o elefante ainda vive, consegue ver sua respiração, pelo estômago que mexe. De volta ao carro, o pai explica: " O Uncle Elephant foi atropelado por um caminhão". O pai liga o carro. Soraida inconformada, pede gritando ao pai: " Pai! precisamos levá-lo a um médico, precisamos depressa curá-lo!". Ao que o pai responde: "Querida! não temos como levá-lo, ele é muito grande e não tem ninguém que possa curá-lo!". Enquanto se afastam, ouve-se um tiro. O pai, suavemente diz: "Agora, Uncle Elephant está no céu querida!".

Entendendo o que aconteceu, Soraida termina: "Mas porquê ele tinha que andar na estrada?".

Tudo isso aconteceu a mais de quarenta anos atrás e teve importantes repercussões, não só na vida de Soraida, como para todos os elefantes da Asia. Soraida é a responsável pela criação do"Friends of the Asian Elephant (FAE)".. Uma fundação em socorro dos elefantes e seus proprietários.Desde 1993 até dezembro de 2005 a FEA ajudou mais de 2265 casos através do Elephant Hospital Project, chamado de FAE Elephant Hospital. Localizado em Lampang, Thailândia. A FAE é também um membro da ONG para a Proteção Ambiental e Conservação dos Recursos Naturais. A questão levantada pela FAE sustenta que nossos recursos naturais estão sendo dizimados.Florestas, fauna e flora estão ameçadas e consequentemente os animais que vivem nas florestas estão desaparecendo. Os elefantes em particular, são gravemente afetados. O objetivo da Fundação é ajudar os elefantes a terem melhores condições de vida e se ajustar ao seu ambiente natural.

http://en.elephant-soraida.com/

Quase trinta anos depois, Soraida estava palestrando como convidada do National Semimar, entitulado: "The Elephant Project:Natural and Cultural Heritage in Thailand", durante 24-26 de Abril de 1996. Organizado por Surin Raja Bhat Institute, em conjunto com o National Culture Commission. Na manhã do dia 24, ela conheceu o Professor Chuen Srisawasdi. Então ele lhe contou que semanas atrás viu um programa na tv, no qual ela desvendava sua estória sobre o Uncle Elephant e como tudo começou. Subitamente se deu conta de que o Uncle Elephante do qual Soraida falava, era seu leal elefante, Bua Joom. Para sua surpresa, ele então lhe revela:" Você e o dono do Bua Joom estão juntos novamente.

Toda essa estória veio parar aqui por causa da Elephant Parade. Uma open-air exhibition, que está acontecendo em Amsterdam, de 5 de Setembro a 31 de Outubro de 2009.
Uma"grande" (literalmente) mostra de elefantes em tamanho natural - um baby elefante- pintados em diferentes temas e maneiras, por artistas locais ou internacionais.
A idéia foi criada por Marc Spitz e seu filho Mike. Marc conheceu Soraida Salwala em 2004 e descobriu que o Friends of the Asian Elephants estava precisando de ajuda, a fim de continuar com o projeto e a sobrevivência dos elefantes.
O projeto tem dado super certo e nas duas edições anteriores realizadas em Rotterdam (Holanda) e Antwerpia (Belgica), foram arrecadados mais de EUR 700.000. A renda obtida foi doada ao projeto Elephat Family, o maior fundo de caridade no mundo, fundada em 2002 por Mark Shand, filantropista, escritor e autor da BBC Queen of the Elephants..
A atual open-air ehxibition em Amsterdam, é a maior até agora. Foi criada uma rota onde você pode percorrer os diversos locais onde estão espalhados os elefantes pela cidade.
Tem até um livreto que explica o projeto e está disponível em diversos pontos da cidade: lojas Hema, MacBike, hotéis, etc.
Na Museumplein, onde está a maior parte dos elefantes, também está disponível um posto de venda de réplicas em miniaturas de todos os modelos pintados dos elefantes.As réplicas são pintadas a mão pelos artistas, e acompanhadas com um certificado de origem, nome do artista e número de série.
Empresas também podem adotar um elefante e encomendar a pintura de acordo com o logo da empresa, artista, etc.
Após a exposição as peças grandes serão leiloadas pela Christie's (famosa casa de leilões).
Os recursos irão para a Elephant Family fundação.
*Na virada do século havia uma estimativa de 300.000 elefantes vivendo na Thailândia. Em 1960 esse numero caiu para 40.000. Hoje somente 1500 animais vivem em seu habitat natural, em estado selvagem e 3.000 vivem em cativeiro. Em todo o mundo vivem cerca de 40.000 a 50.000 elefantes asiáticos, sendo 16.000 em cativeiro.
"Will we have to say...
'The last elephant'
so soon..."
Soraida Salwala
*O texto aqui apresentado tem como fonte os sites acima indicados (algumas partes traduzidas somente).

terça-feira, 15 de setembro de 2009

arte educação

Kunstatelier (Amsterdam- NL) Artzuid


Gostar de arte é algo que se aprende, não vem pronto, como uma preferência.
É um aprendizado, assim como entender e decifrar os códigos de leitura e aprender a ler, aprender os códigos visuais requer uma aproximação lenta e gradativa. É um passo-a-passo que deve ser iniciado na infância com o mesmo rigor e comprometimento de outras áreas do saber. Na escola e em casa. Mas esse aprendizado deve começar necessariamente preparando o olhar, aprendendo a ver. O olhar treinado vê mais longe e melhor, vê sutilezas e meandros. Faz leituras que vão além das aparências, graças a penetração de seu conhecer. Mergulha além e aquém do verniz e da superfície das coisas. Entrar em contato com obras de arte desde o início faz toda a diferença, e vai preparando o caminho, organizando o pensamento para o conhecimento estético futuro. Forma uma concepção humanista da vida, relaciona o nosso estar no mundo, lapida o que há de melhor em nós. A arte tem esse alcance, nos possibilita entrar em contato com a parte mais sutil e sensível do nosso ser. Nos torna melhores e mais preparados para o convívio com o outro, pois desperta a humanidade que existe em cada um e que nos torna "linkados" um ao outro, na mesma grande teia cósmica.
Apresentar a arte - nas suas diversas modalidades - para as crianças , inicia uma base, constrói os alicerces sobre o qual vai se arquitetando todo o conhecimento estético vindouro e a personalidade da criança e toda sua auto-expressão.
Música, dança, teatro, artes plásticas, literatura, são modalidades artísticas que devem ser introduzidas aos poucos e de acordo com a idade da criança e seu interesse natural por elas.
Por si só já são acontecimentos lúdicos, que falam diretamente ao lúdico mundo da criança, o que facilita a aproximação. As duas linguagens são paralelas. Envolver as crianças nesse mundo de cores, formas e ritmos é falar diretamente ao seu mundo ( guardadas as devidas diferenças entre a sofisticada linguagem da arte e a pedagógica linguagem infantil).
Desde cedo, aprendem pela própria experiência noções de espaço, ritmo e formas: o que é alto - baixo, frio - quente, longe - perto; dançam no embalo da música, despreocupada e livremente; adoram as cores e se lambuzar de tinta; fazer colagens; explorar os materiais e suas texturas. Os recursos dos quais a arte se utiliza, são familiares ao universo infantil.
Disponibilizar esses recursos, viabilizar oportunidades de contato com o rico universo da arte, é caminho seguro para a formação do intelecto e do despertar de todas as forças criativas que habitam a criança.
Atividades que promovam o contato com a música, tintas e pincéis, papéis de diferentes texturas, materiais para colagem, livros coloridos, histórias contadas oralmente. Existem muitas maneiras de promover atividades que possam exercitar o pensamento artístico e proporcionar uma inclusão no mundo da arte.
A escola tem um relevante papel nessa empreitada, e como tal primeiramente, deveria reconhecer a arte como importante área do conhecimento humano, e não somente como atividade recreativa e decorativa. A sala de aula deve ser um espaço, tal qual o atelier do artista, o laboratório do cientista, ou o palco de representações do teatro. Uma oficina de criações e possibilidades. Deve abrir espaço para o acontecimento da criatividade e expansão do conhecimento criativo.
Algumas escolas e políticas públicas aplicam essa abordagem do ensino da arte de modo eficiente e criativo. Viabilizando a prática artística de modo experimental, onde a criança sente-se estimulada e valorizada em sua auto-expressão, capacidade de imaginação e invenção.
Nos países mais desenvolvidos, essa é uma prática corriqueira e comum nas ecolas. O ensino da arte, está lado a lado com outras matérias do conhecimento. Além do que, as crianças tem a oportunidade de ver "in loco" as obras de arte, visitando os museus onde estas se encontram. Os museus por sua vez, disponibilizam atividades como oficinas de arte e outras atividades como iniciação aos pequenos.Primeiro a visita guiada às obras e logo depois uma oficina prática.
Estimular o ensino da arte sob essa perspectiva, torna os espaços por ela ocupados mais vivos e dinâmicos.
Conduzindo as crianças a serem agentes produtores de um novo conhecimento, agentes transformadores de seu próprio tempo e espaço.
Amst, 16 set 2009.

domingo, 13 de setembro de 2009

oil on paper -20x30cm
COMO ME TORNEI LOUCO Perguntais-me como me tornei louco.Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim: um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei todas as minhas máscaras tinham sido roubadas - as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas - e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando: "Ladrões, ladrões, malditos ladrões!" Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim. E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: - "É um louco!" Olhei para cima para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua. Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: "Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!" Assim me tornei louco. E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: e a segurança de não ser compreendido, pois aquele desigual que nos compreende escraviza alguma coisa em nós. Autor: Gibran Khalil Gibran

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

ARTZUID -SCULPTURE ROUTE

Yoshitomo Nara - Puff Marshie
Auguste Rodin - O Pensador
Carel Visser - De Gezusters -
Zhang Hongbo - Fat lady
Franz West- Sphairos
Shinkichi Tajiri - Watcher I


O espaço urbano serve como espaço de acontecimentos onde a intervenção da arte deve funcionar como enriquecedora do olhar e geradora de conhecimentos poéticos. O objeto de arte que vai ao encontro do espectador tem exatamente essa função, de produzir um novo olhar e provocar reflexão e uma nova maneira de ver.
Arte nas ruas é uma proposta sempre muito bem vinda. Transforma um dia comum de trabalho, afazeres, compromissos em um acontecimento especial...



ARTZUID
SCULPTURES & ARCHITECTURE IN AMSTERDAM BERLAGE IN BEELD APOLOLAAN MINERVALAAN

16 AUGUSTUS - 26 OKTOBER
SCULPTURE ROUTE 2009 ARTZUID
International sculpture route Amsterdam-South:

ArtZuid 2009: Modelled on Berlage’


FOUNDATION ARTZUID é uma iniciativa de moradores do bairro Oud Zuid em Amsterdam. A proposta é valorizar e lançar um novo olhar aos naturais encantos do local e a interação deste com o projeto de Hendrijk Berlage, de 1917 o Plan-South*.

A principal ação chama-se SCULPTURE ROUTE 2009 ARTZUID. Ou seja, um percurso da escultura nas avenidas Apollolaan e Minervalaan. Duas maravilhosas avenidas com longos canteiros verdes ao centro. O local é o cenário perfeito para a exposição e proporciona as condições necessárias para apreciação dos trabalhos de arte em grande escala. Além do que, as pessoas podem redescobrir a bela paisagem integrada à arquitetura e design criados pelo arquiteto Berlage em 1917, inseridos no chamado Plan-South*

Com curadoria do arquiteto Roberto Meyer e do artista Michiel Romeyn foram selecionadas mais de quarenta obras com diferentes estilos, épocas e significados. A mostra coloca lado a lado clássicos internacionais como Rodin com O Pensador (a mais conhecida e famosa) e Zadkine com uma obra em bronze e artistas como Paul McCarthy, Joep van Lieshout, Franz West, Panamarenko, and Tajiri. O jovem talento também está presente com artistas holandeses convidados a criar suas obras especialmente para essa ocasião
As peças não apresentam uma narrativa histórica, linear, nem podem ser categorizadas sob um mesmo tema ou questão sócio-política. A escolha e colocação das mesmas nos espaços, otimizam a visualização dos arredores onde se encontram, criados pelo design de Berlage. Daí o nome: BERLAGE IN BEELD (Berlage em imagens). O olhar dos curadores inverte a relação primeiro plano e segundo plano e coloca tanta importância nas obras quanto na sua relação com o meio em que se encontram (Berlage in beeld).
Também acontece dentro do programa:

  • Workshop para crianças nos fins de semana (ArtZuid Infodesk esquina Minervalaan – Apollolaan

  • Picnic 20 setembro 2009,12.30 - 16.00 Apollolaan – Minervalaan

  • Exposição ‘Plan-South Berlage’*/ 16 august - 26 oktober- 9.00 - 17.00 - Lobby Golden Tulip, Apollo Hotel/Apollolaan 2, Amsterdam
*Hendrik Petrus Berlage (Amsterdam, 12 de fevereiro de 1856 — Haia, 12 de agosto de 1934) foi um destacado arquiteto e urbanista neerlandês.
Plan South – a área sul de Amsterdam é parte da maior expansão urbana da cidade e foi realizada por Hendrijk Petrus Berlage, entre 1917 e 1940.