sábado, 22 de maio de 2010



A CASA QUE SONHA...

“Pois a casa é nosso canto do mundo. Ela é, como se diz freqüentemente, nosso primeiro universo. É um verdadeiro cosmos." Bachelard


O lugar onde vivemos nunca teve tanta importância como agora. A casa se transformou num lugar de vivências, prazer, lazer e acolhimento. As pessoas se preocupam então, não mais com a casa cenário, auquele lugar de receber visitas, sala toda arrumada, intocável – mas sim com uma casa real. Ainda preparada para receber, mas agora mais do que nunca para acolher, deixar à vontade, inspirar afetos, instigar conversas, proporcionar abrigo.
Uma casa cheia de vida, cores e sabores. De coisas que contam histórias, paredes que evocam lembranças, a casa que abraça, enlaça e aninha.
Nossos pensamentos, nossa imaginação e nossos devaneios passeiam pelos aposentos da nossa casa, colam nos objetos que habitam nossos espaços e através de sua presença nos contam histórias, um espelho de quem somos, do que sonhamos.
A textura do nossa casa não está somente na aparência  que nos apresenta e na superfície das coisas que ela contém. Reside também - e principalmente - no aspecto etéreo do ar que envolve nossa morada, na atmosfera que paira e impregna os ambientes. Podemos sentir isso logo que entramos num ambiente, nosso olhar interno capta imediatamente as texturas do lugar: asperezas, suavidades, delicadezas, rugosidades, durezas...Nossa alma sempre vai na frente, abrindo os caminhos, lendo os mapas daquela existência. Quanta riqueza pra contar numa só casa!
Os armários e seus pertences, as gavetas cheias de acontencimentos. Coisas cheias de vida, carregadas de energia pulsante, contam nossa história, encontros e desencontros. Ás vezes falam por si: um livro aberto num capítulo, uma flor que murcha sem água num canto qualquer, anotações num pedaço velho de papel, uma foto alí, um quadro acolá...sempre querendo revelar, entregar. Muitos tesouros se escondem para todos os lados  de uma casa.


Mas os cantos das casas escondem os segredos, porque as casas falam! Ah, e como falam.
As casas sonham.

“ ... todo canto de uma casa, todo ângulo de um aposento, todo espaço reduzido onde gostamos de nos esconder, de confabular conosco mesmos, é, para a imaginação, uma solidão, ou seja, o germe de um aposento, o germe de uma casa” G.Bachelard in A Poética do espaço.



Hoje, dedicamos mais tempo em organizar, arrumar, adornar e harmonizar nossos ambientes porque sabemos de tudo isso, mesmo que inconscientemente. Os  espaços são pensados de maneira que o entorno nos signifique e seja sempre um pouco ou muito de nós mesmos, pra vivermos melhor em sin tonia com quem somos. Cercados de proximidade e de energias simpatizantes com nosso jeito de ser.
Arquitetos, artistas, decoradores, designers têm uma importância fundamental na construção dessa nova casa, suas feições e seu caráter. Não é á toa que a arquitetura conversa com a filosofia.
Todo bom profissional deveria ter essa questão sempre à frente do seu trabalho e de suas propostas: filosofar com os materiais e com a personalidade daqueles que irão habitar a nova casa, entrar em sintonia com os elementos que compõe aquele espaço, falar de poesia e afeto no dia dia, no sentido de criar harmonia e proporcionar bem estar, pra viver melhor.



sábado, 15 de maio de 2010

O Brasil é plural


Azul, rosa e amarelo.O Brasil é verde, preto, mulato, branco e de todas as cores.
O Brasil tem fome, tem sede e arde de desejos. É preguiça e vontade, ginga e criatividade.
Tudo-ao-mesmo-tempo-agora.
Samba no pé e Tom Jobim...o que falar da sonoridade e dos ritmos do Brasil ?!
Riqueza e diversidade: bossa nova, maracatu, berimbau, Tropicália, marchinha, frevo e percussão.
Música pra esquentar o coração.
Praia, sol, serra, frio e mar e muito amor pra dar...sua força reside justamente na sua sua maior fraqueza que é acreditar.
Tem Mula sem Cabeça, Curupira e Boitatá.Tem Saci-Pererê, Bernunça e Boi Bumbá.
Quadrilha, Frevo e Acarajé. Baiana, Carnaval e Forró.
Tem calor e tem frio mas braços sempre abertos ao céu...alma quarada em luz e sol.
Ahhhh, o Brasil, quanta coisa pra falar!
Quanta riqueza de possibilidades vejo e sinto no grande território chamado Brasil.
Difícil encontrar um modo imparcial de falar desse grande gigante, difícil apresentá-lo a um estrangeiro, assim através das palavras. Cheio de personalidades e particularidades, riquezas, belezas e contrastes.
De Norte a Sul, Leste a Oeste nosso lindo país é feito de misturas e texturas tão diferentes que as palavras entram em contradição nas inúmeras tentativas de decifrá-lo.
O Sul e seus imigrantes italianos, alemães, poloneses, portugueses. Sua cultura impregnada nos hábitos e costumes, na cara das cidades, seus jeitos e sotaques. Trabalhadores fortes e obstinados que transformaram um pedaço do grande território em pujança, fartura e qualidade de vida.
O Norte e seu povo mestiço, peito aberto, coração sofrido. Os indigenas e sua riqueza cultural, esquecidos e sobrepujados pela aculturação do homem branco. A grandeza e magnitude da mítica floresta Amazônica, a maior floresta tropical do planeta. Suas plantas, árvores frondosas, e ervas medicinais, recursos inestimáveis de pesquisas e promessas de cura. O caudaloso Rio Amazonas, o maior rio do mundo.
Na região amazônica, tudo é grande e farto, mas também grandes as ameaças do homem, predador diante de tantos recursos.
O Nordeste e sua natureza exuberante e exibida, onde sol, sal, mar e luz se juntam, pra dia após dia fazer um grande espetáculo e formar as mais belas paisagens. Sua gente alegre e amigável, pele morena, coração aberto. O que falta na mesa sobra no riso fácil e farto.
Como falar do Brasil e de sua gente sem levar em conta tantas diferenças e tantas riquezas tão diferentes.
O Centro-Oeste e seus minérios e diamantes, agora já superados pela sede de lucro e poder que agroindústria suplantou. Jóia preciosa da região, o Pantanal Matogrossense reserva ecológica da flora e fauna brasileiras.
Sudeste com suas grandes metrópoles, um amontoado de gentes vindas de todos os lados e de todos os jeitos, cada um em busca. Tentativas, erros e acertos de um povo que não desiste nunca. Suor e cansaço na luta e labuta de um dia melhor. Sempre a esperança.
Cada cidade com sua personalidade, feição própria e caráter. Construídas com um pouco daquilo que cada imigrante trouxe na bagagem: obstinação, alegria, pragmatismo, malemolência, força, coragem, determinação, espontaneidade e jogo de cintura, criatividade e calor humano.
Cidades com histórias pra contar, feitas de alegrias e tristezas encontros e desencontros.
O Brasil é assim, um vasto caldeirão de acontecimentos onde convivem lado a lado elementos e caracteristicas tão diferentes e tão complementares.