quinta-feira, 16 de junho de 2011

diferenças culturais




A ciranda das diferenças

Uma das oportunidades mais ricas de aprendizado é conviver com culturas diferentes. Abrir de fato o coração pra caminhar em direção ao outro, se interessar de verdade por sua história, sua cultura, seus hábitos.

Sempre toco nesse assunto por aqui por razões óbvias: isso faz parte do meu dia a dia e é realmente um assunto que me interessa. Gosto de compartilhar com outras pessoas sobre essa experiência porque acredito que isso pode ser um agente transformador.
Eu simplesmente amo essa troca, principalmente porque conversando com as pessoas você descobre coisas que não estão escritas nos livros, nas revistas ou em qualquer lugar. É um aprendizado muito diferente porque envolve não só a razão ou a cognição, a gente aprende com o corpo e principalmente com o coração. Nada substitui o olho no olho. O contato humano, sensível e emocional que existe nessa experiência. Quando você se interessa pela história de alguém isso provoca um acontecimento quase mágico, uma porta pode se abrir e se você permitir algo de novo pode acontecer dentro de você. Pra mim isso é de fato um presente!
A visão e o ponto de vista de quem vive (ou viveu) uma realidade muito diferente da sua. A história de cada um marca profundamente quem somos, como pensamos, como nos expressamos, nossa maneira de estar no mundo e como nos relacionamos com os outros. A história do nosso próprio país através de sua cultura influencia como somos.
Nos relacionamentos do dia a dia com pessoas de outras culturas você fica exposto a muitas situações inesperadas, inusitadas. Por exemplo, os holandeses são conhecidos por serem muito francos, objetivos e diretos. Não hesitam em falar o que pensam sobre uma opinião requisitada, um assunto. Se colocam sempre de maneira assertiva nas discussões. São verdadeiros, quase transparentes. Isso é bom? Isso é ruim? Apenas diferente. Para uns pode ser agressivo e até mesmo duro e para os mais sensíveis pode até magoar. Mas eu não vejo assim. Vejo esse comportamento como algo característico, inerente à cultura deles. Tento entender como isso faz parte de sua história de vida. E pode acreditar isso tem explicação se você descobrir um pouco mais sobra a própria história do país.
Nós brasileiros, jamais agimos assim, somos mais cheios de rodeios e malemolência e subjetividades, temos receio de ser francos e magoar. Aliás acho que não é nem receio de magoar, dentro da nossa cultura seria considerado até mesmo mal educado agir assim. Nossa cultura nos orienta desde pequenos a dizer sim muito mais do que não. Somos ensinados a omitir sentimentos que poderiam parecer grosseiros aos ouvidos e sensibilidade alheios: “Filho, se você não gostou do presente que ganhou...mesmo assim não precisa dizer isso, simplesmente agradeça” . A gente ensina assim quando a criança diz a verdade nesses casos. Somos norteados pelas delicadas fronteiras entre a franqueza e a "omissão".
Mentira, franqueza, falsidade, omissão, dureza, grosseria?!?! Tudo é uma questão que depende de que ponto você olha, qual a história do teu olhar.
Os Japoneses por sua vez, são pessoas que não sabem dizer não, aceitam tudo de bom grado e jamais fazem alguma reclamação. São fingidos? Enganam? Obviamente que NÂO! Apenas seguem seus instintos naturais, suas crenças e cultura, seu modo de ser. Mas observe sua cultura, e encontrará respostas.
Às vezes as diferenças vêm de maneira tão sutil que demora pra cair a ficha: Outro dia uma amiga do Irã nos convidou pra ir na casa dela e estava toda empenhada em fazer algo pra nos agradar: “Vocês preferem um almoço? Um lanche? Qual a comida vocês gostam? Cozinha típica ou algo mais trivial?" Etc, etc...
Eu com toda minha boa vontade do mundo e como boa brasileira cheia de sentimentos, insistia pra ela não se preocupar com isso e fazer algo que não desse tanto trabalho e tals, afinal nossa amizade é o mais importante. Foi quando minha amiga holandesa me puxou de um lado e disse: “Monica acho que ela quer mesmo é fazer o melhor para nos agradar e assim demonstrar sua amizade, talvez é melhor deixar que ela faça do jeito dela”. Pim!!!! A ficha caiu! Talvez para ela minhas intervenções poderiam ser vistas como uma ofensa e não como uma tentativa de deixá-la mais à vontade, de não dar muito trabalho pra ela.Vivendo e aprendendo...
Assim eu poderia dar muitos exemplos de diferenças culturais e o modo de se comportar das pessoas que algumas vezes podem inclusive causar mal entendidos.
Mas quando os relacionamentos estão acima disso tudo fica mais fácil de lidar com esse complexo emaranhado de hábitos, crenças e costumes.

Afinal depois de tudo, tudo mesmo...bem no fundo, somos todos seres humanos e fazemos parte de uma mesma e única história que só nos é contada de modos bem diferentes.


*Cognição: Cognição é o ato ou processo de conhecer, que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem, a palavra tem origem nos escritos de Platão e Aristóteles. Fonte:Wikpedia
*Malemolência: jogo de atitudes, gestos, jeito de falar ou mover-se que denota qualidades diversas, mas consideradas positivas (como a manha, a malícia, a elegância, a destreza), de alguém; molejo. Fonte: www.dicionarioinformal.com.br