sábado, 17 de março de 2012

Klee and Cobra A Child’s Play



                               Bust of a child, 1933




 "A criança é o pai do homem"
  William Wordsworth.




O que a arte e as crianças têm em comum?

A exposição Klee and Cobra a Child`s play que está acontecendo no Cobra Museum em Amstelveen aponta respostas nesse caminho. A exposição foi pensada na relação do Grupo Cobra com o artista Paul Klee, o que ambos tinham em comum com o universo imaginativo da criança. A curadoria escolheu cinco temas sobre os quais ambos trabalharam: a imaginação da criança, as máscaras, os acrobatas, animais fantásticos e agressividade. Dentro de cada tema proposto são exibidos trabalhos de Klee e de alguns membros do Grupo Cobra: Karel Appel, Constant, Corneille, Pierre Alechinsky, Asger Jorn e outros. No total mais de 130 obras de Klee e 120 do Grupo Cobra.

Paul Klee

Pra entender melhor a arte de Klee se faz necessário conhecer um pouco sobre sua própria vida e personalidade.
Klee nasceu na Suíça (1879-1941) numa família de músicos da qual herdou o gosto pela musica, tornando-se um exímio violonista. O pai era professor de música e a mãe cantora. Atuou na Orquestra Municipal de Berna e outros grupos. A musica, aliás, permaneceu com ele durante toda sua vida exercendo grande influência sobre sua arte. Formulou a Teoria da Forma na qual relaciona formalmente através de analogias a Musica e as Artes Visuais. Foi um importante teórico, um intelectual da arte, ligando suas buscas à filosofia e a metafísica.  Klee foi um dos mestres da famosa escola Bauhaus onde lecionou de 1920 a 1931. Instituiu as bases do que viria a ser mais tarde o Construtivismo.

Escolheu as artes visuais como seu caminho no mundo, sua maneira muito singular de se comunicar com o universo. De Klee pode-se dizer um pintor sem classificações de estilo, escolas ou ismos. Construiu sua arte de forma única, singular, sempre se mantendo fiel a si mesmo, buscando suas imagens na essência do seu ser. Assimilou algumas tendências de seu tempo  transformando-as. Razão e emoção, intuição e intelecto, dentro desse contexto de polaridades Klee retirou a energia para construir sua linguagem e suas imagens. A despeito de sua obra estar imersa nas suas teorias, visualmente se manteve pura, primitiva, aquém das investigações intelectuais. Sua arte tem a energia vital da natureza, exprimem questões cósmicas, metafísicas, dualidades: caos e ordem.



"Art does not reproduce the visible; rather, it makes visible."





Pequenos formatos, linhas tênues e delicadezas. Cores cadenciadas, musicais. Símbolos pictográficos como letras, notas musicais e setas povoam suas pinturas e desenhos. Suas obras exigem um olhar atento e introspectivo, feito de silêncios e pausas, sussurros, ritmos e cadências, tal qual a musica. Para apreciar Klee è necessário ter de novo os olhos puros de uma criança. Um olhar ainda não contaminado pelo conhecimento ou corrompido pela cultura, livre de regras, normas e saberes inúteis. Tal qual suas buscas e interesses no universo infantil. O olhar puro consegue ver através das linhas, formas, superfícies e cores. Um mundo além das aparências, a essência das coisas segundo o próprio Klee. Sua arte fala baixinho, tem que chegar perto. Se aproximar para ouvir os sons que vem de suas imagens. Um canto lírico, uma sonata, a musica de câmera, uma composição musical. Tem a força vital dos grandes acontecimentos, o poder do universal.





                                 Golden Fish, 1925




O interesse pela produção infantil aconteceu os 22 anos quando Klee redescobriu seus próprios desenhos de infância. Encantado com a descoberta passa a investigar o processo criativo da criança, seus desenhos e pinturas. Os desenhos infantis tinham para ele um apelo original, primitivo no sentido da pureza, preservado da afetação do conhecimento, das regras e da cultura. A força instintiva da energia da vida, a simplicidade.  O que ele almejava para seu próprio trabalho e de fato ajudou a definir sua linguagem.
Mais tarde em 1907 nasce seu filho Felix o qual também contribuiu para o aprofundamento nas questões da infância relacionadas à arte. Klee registrou minuciosamente o desenvolvimento do filho em uma espécie de diário e mais tarde também seus desenhos.
Outro fator impactante na sua carreira que refletiu grandemente sobre sua obra foi uma viagem à Tunísia. Até 1914 Klee não se sentia um verdadeiro pintor, tinha dificuldades com a cor. Suas obras tendiam para o monocromático. A partir de uma viagem á Tunísia o artista se sente completamente envolvido com a luz do local. Mais tarde Klee afirmaria sobre a viagem (se referindo a luminosidade, as cores na natureza, a luz )


“Color has taken possession of me; no longer do I have to chase after it, I know that it has hold of me forever. That is the significance of this blessed moment. Color and I are one. I am a painter.”







O Grupo COBRA

A idéia principal do Cobra como todo movimento de vanguarda, era quebrar com padrões estabelecidos e criar uma nova maneira de expressar sua arte. Liberdade de técnicas, de gestos e idéias. Acreditavam na arte como intuição, liberdade de criação sem planejamento prévio, um espaço onde uma nova arte se manifestar livremente, apontar saídas ao conformismo. O ato de pintar, o processo criativo deveria ser o mais espontâneo possivel, diretamente sobre o suporte. Cores primárias, formas precárias. Grossas camadas de tinta, grandes formatos, movimentos vigorosos e gestuais. Temas fantásticos, animais grotescos, seres deformados, garatujas infantis, traços inacabados e desajeitados. Buscaram no universo infantil a fonte de inspiração para suas obras e seu fazer. A vitalidade e energia pura dos desenhos e pinturas das crianças. O olhar e a mão da criança ainda não contaminada pelo conhecimento ou corrompida pela cultura, livre de regras, normas e saberes inúteis. Também beberam na fonte da Arte Primitiva, Folk Art, Mitologia Nórdica, graffiti, na arte de Miró e Klee. Incorporaram a poesia e a literatura à sua arte, imprimindo um forte caráter político na sua proposta. Muitos deles eram de fato envolvidos e engajados politicamente, comunistas e marxistas. Tornaram-se um objetivo a alcançar. O Grupo Cobra durou pouco (se desfez em 1951), mas foi intenso tal qual sua proposta. Durante sua existência deixou marcas profundas e indeléveis na arte.



                               Constant



A exposição Klee and Cobra A Child’s Play revela as similaridades entre Cobra e Klee, mas também as diferenças de proposta quanto ambos tratam do mesmo tema. Em Klee, a abordagem do universo da criança é mais lúdico, muito próximo da poesia e da fantasia. Talvez um contraponto á sua intelectualidade tão incisiva. Mas também uma maneira de romper com a arte tradicional e seus cânones engessados. Enquanto que os artistas do Cobra encontraram no fazer da criança a potência vital da criação, a energia impulsiva e intuitiva do fazer. Estavam interessados na crueza do gesto impulsivo como uma maneira eficaz de expressar seus anseios e questionamentos.
A exposição traz desenhos e pinturas de Klee e telas em grandes formatos do artistas do Cobra, assim como algumas esculturas e marionetes de Klee. Dois vídeos de aproximadamente 1hora também fazem parte da mostra.


28.01 - 22.04 2012
Onde: COBRA MUSEU, in Amstelveen - Holanda

COBRA MUSEUM- em Amstelveen +- 9km de Amsterdam

A partir do centro pegue o TRAM 5 direção Binenhof; ultima parada. O museum fica na parte oposta da parada do tram, uma área comercial chamado Stadshart Amstelveen - Sandbergplein 1, Zip 1181 ZX.
Onibus apartir de Amsterdam: 170,171,172 parada Busstation Amstelveen
A partir do Schiphol: bus 300, parada Busstation Amstelveen
A partir da Station Zuid,WTC: bus 199, mesma parada acima.


quinta-feira, 15 de março de 2012

O GRUPO COBRA


Corneille, Fête Nocturne. 1950, ost, 100x90m

Arte e liberdade, um vôo além da razão

"A nova liberdade está prestes a nascer, uma que permitirá às pessoas para satisfazer seus desejos criativos Como resultado deste processo, a profissão de artista deixará de ocupar uma posição privilegiada,. É por isso que alguns artistas contemporâneos são resistentes a ela .No período de transição, a criação artística encontra-se em guerra com a cultura existente e, simultaneamente, anunciando uma cultura do futuro. Com este duplo aspecto, a arte tem um papel revolucionário na sociedade ". Karel Appel

COBRA. A sigla se refere às iniciais dos três países de onde vieram os principais criadores do movimento. Asger Jorn (COpenhagen), Joseph Noiret e Christian Dotremont (BRussels) e Constant, Corneille e Karel Appel (Amsterdam).
Movidos pela impetuosidade, originalidade e subversão, eles transformaram as artes. Deixaram sua marca forte e inconfundível no curto período de tempo que existiram (1948 a 1952) influenciando as gerações futuras. Nasceram num movimento de rebeldia, para inovar através da arte.
O contexto – 1948/1952
Numa Europa devastada pela guerra, maculada pela barbárie do holocausto nazista, crescia a idéia de unificação nos países, de juntarem forças, idéias e ideais.  O espírito daqueles tempos era de reconstrução, superação, de apontar novos caminhos. Envolvidos nesse fértil e agitado ambiente os artistas se movimentavam em busca de algo novo. Engajados política e intelectualmente usavam sua arte para expressar seus anseios e angústias, numa tentativa de explicar as misérias e dores humanas, de purgar e transcender os horrores (da guerra) recém vividos. A arte estabelece esse contato, faz essa ligação com o humano, funciona como uma espécie de catarse, de purificação dos conteúdos latentes no inconsciente coletivo. Assim nasceu o Grupo Cobra. Imersos nesse caldo social e político eles procuravam.
O movimento nasceu formalmente em Paris em 1948 a partir da fusão de três grupos de arte experimentais oriundos da Europa do Norte: Revolutionary Surrealist Group (Christian Dotremont - Bruxelas); Host group (Asger Jorn - Copenhagen) e Die Experimentele Groep (Karel Appel, Corneille, Joseph Noiret e Constante – Amsterdam. Esses artistas participavam de uma conferência em Paris chamada International Center for the Documentation of Avant Garde Art. Contrários as idéias dos surrealistas e pela falta de seriedade nos debates que aconteciam, deixaram o local em protesto. Dirigiram-se ao Cafè Notre Dame onde Dotremont redigiu um manifesto chamado La Cause Était Entendue’ (O caso foi ouvido). Uma resposta a outro manifesto dos surrealistas franceses. Os artistas assinaram o documento
Opunham-se ao Surrealismo (especialmente depois de atingir certo sucesso comercial no final da II Guerra Mundial), à racionalidade da abstração geométrica, aos dogmas do Realismo Socialista e da estética burguesa associada à Ecóle de Paris. Denunciavam a estagnação da arte, a distorção da sua natureza simples e pura e sua conseqüente condenação pelos mesmos meios que a criaram. A agitação entre os artistas contudo, começou muito antes. Dotremont conjugava com o Surrealismo porém rompeu com o grupo em 1945 quando seu líder Breton voltou dos EUA (onde se refugiou da Guerra). De volta à Europa Breton rompeu com o Partido Comunista e levou o Surrealismo por caminhos mais místicos do que políticos. Nesse momento Dotremont rompe com o Surrealismo e funda o Revolutionary Surrealist Group. Mais tarde se juntaram ao grupo arquitetos, escritores e poetas.




                                        Anton Rooskens. Africa simbols, 1958. 106x122m



"the only reason to maintain international activity is experimental and organic collaboration, which avoids sterile theory and dogmatism"
A idéia principal do Cobra como todo movimento de vanguarda, era quebrar com padrões estabelecidos e criar uma nova maneira de expressar sua arte. Liberdade de técnicas, de gestos e idéias. Acreditavam na arte como intuição, liberdade de criação sem planejamento prévio, um espaço onde uma nova arte se manifestar livremente, apontar saídas ao conformismo. O ato de pintar, o processo criativo deveria ser o mais espontâneo possivel, diretamente sobre o suporte. Cores primárias, formas precárias. Grossas camadas de tinta, grandes formatos, movimentos vigorosos e gestuais. Temas fantásticos, animais grotescos, seres deformados, garatujas infantis, traços inacabados e desajeitados. Buscaram no universo infantil a fonte de inspiração para suas obras e seu fazer. A vitalidade e energia pura dos desenhos e pinturas das crianças. O olhar e a mão da criança ainda não contaminada pelo conhecimento ou corrompida pela cultura, livre de regras, normas e saberes inúteis. Também beberam na fonte da Arte Primitiva, Folk Art, Mitologia Nórdica, graffiti, na arte de Miró e Klee. Incorporaram a poesia e a literatura à sua arte, imprimindo um forte caráter político na sua proposta. Muitos deles eram de fato envolvidos e engajados politicamente, comunistas e marxistas. Tornaram-se um objetivo a alcançar.O Grupo Cobra durou pouco (se desfez em 1951), mas foi intenso tal qual sua proposta. Durante sua existência deixou marcas profundas e indeléveis na arte.






Corneille.1948 - ost,100x100m



*Em Amstelveen (9km de Amsterdam) existe um museu do Grupo Cobra com várias obras dos principais membros e exposições temporárias de outros artistas. O Museu fica numa área comercial, com várias lojas e restaurantes. Vale a pena uma visita. Válido o Museumkaart.
Atualmente está acontecendo a exposição: Klee and Cobra a child's play - 28/01/12 a 22/04/12


COBRA MUSEUM - em Amstelveen +- 9km de Amsterdam
A partir do centro pegue o TRAM 5 direção Binenhof; ultima parada. O museum fica na parte oposta da parada do tram, uma área comercial chamado Stadshart Amstelveen - Sandbergplein 1, Zip 1181 ZX.
Onibus apartir de Amsterdam: 170,171,172 parada Busstation Amstelveen
A partir do Schiphol: bus 300, parada Busstation Amstelveen
A partir da Station Zuid,WTC: bus 199, mesma parada acima.




Christian Dotremont



*Livro sobre o GRUPO COBRA: Stokvis, Willemijn. Cobra, the Road to Spontaneity


Quem foram os artistas do Cobra?


Karel Appel (1921-2006)
Corneille (1922)
Pierre Alechinsky (1927)
Else Alfelt (1910-1974)
Jean-Michel Atlan (1913-1960)
Ejler Bille (1910-2004)
Pol Bury (1922-2005)
Jacques Calonne (1930)
Hugo Claus (1929-2008)
Lotti van der Gaag (1923-1999)
William Gear (1915-1997)
Stephen Gilbert (1910-2007)
Svavar Guðnason (1909-1988)
Henry Heerup (1907-1993)
Edouard Jaguer (1924-2006)
Aart Kemink (1914-2006)
Lucebert (1924-1994)
Ernest Mancoba (1904-2002)
Jørgen Nash (1920-2004)
Jan Nieuwenhuys (1922-1986)
Erik Ortvad (1917-2008)
Pieter Ouborg (1893-1956)
Carl-Henning Pedersen (1913-2007)
Raoul Ubac (1910-1985)
Serge Vandercam (1924-2005)



Da esq. p/ dir. Corneille, Appel e Constant. Paris, 1949.


Karel Apple






sábado, 3 de março de 2012

Os livros e a leitura




por falar em livros...
porque a leitura é tão importante,


Contar histórias ou ouvi-las faz parte da nossa natureza, um sentimento de pertencimento que mora num lugar longínquo bem dentro do peito de cada um. Aquela parte lúdica, poética e lírica que existe a despeito das hostilidades do mundo. Se permitirmos estará sempre alerta.  
Infinitas contações de histórias estão registradas nos nossos genes, atravessaram o tempo e trouxeram consigo terras distantes, povos exóticos, casos intrigantes, nobres e pagãos, seres fantásticos e mundos maravilhosos. Desde tempos remotos quando nos descobrimos  gregários, sociais e comunicantes e nos demos conta da necessidade que temos uns dos outros a contação de histórias esta presente na nossa própria Historia.
No começo a tradição oral de passar o conhecimento para as gerações posteriores era necessidade vital, a segurança da sobrevivência no nosso árido planetinha. Uma certa garantia de permanência...
Mais tarde descobrimos as letras e um mundo cheio de promessas e possibilidades se abriu diante de nossos olhos e da nossa imaginação. Nasceram os livros, no início feitos de materiais orgânicos como couro de animais, folhas de plantas ou ate mesmo a pedra serviram de suporte para os registros, garantindo nossa ânsia por comunicação – as Cavernas Rupestres e o Código de Hamurabi são exemplos.
Mais tarde veio o papel e os livros ganharam o mundo.  Rapidamente caíram nas estradas espalhando o saber e o conhecimento. Atravessando mares e fronteiras, chegando às mãos de todo aquele que tivesse a curiosidade à flor da pele. Então ficou mais fácil entender o lugar onde vivíamos e como as coisas funcionavam nesse lugar. Paradigmas foram quebrados, alguns mitos derrubados e o medo deu lugar à razão. Uma nova era foi inaugurada expandindo o conhecimento e ultrapassando as fronteiras ate então estabelecidas - externas e internas. Nascia o tempo do saber.
A leitura e a literatura são uma grande aventura humana, isso nos diferencia dos demais seres com quem dividimos  o mesmo espaço chamado Planeta Terra. Somos pensantes, lúdicos, imaginativos, criativos e criadores. Através dos livros descobrimos a nós mesmos e o outro. Angústias, medos, inquietações e questionamentos. Sentimentos que são compartilhados por todos nós que aqui estamos, vivendo a grande jornada dessa incógnita chamada vida.
Pelos livros entramos em contato com mundos distantes. Nossa vida cotidiana se transforma em palco e teatro, cidades medievais, campos de batalha, lares desconhecidos, mares sem fim. Vivemos vidas alheias, incorporamos emoções que não são nossas mas mesmo assim nos reconhecemos nelas, lutamos contra nossos piores inimigos, enfrentamos medo, dor, tristezas e alegrias, sucessos e fracassos. Sem ao menos sair de casa. Voamos rumo ao desconhecido deitados no sofá da sala, recostados na poltrona quente e acolhedora do quarto de dormir.

 Ah! as palavras…nos levam numa viagem sem fim, num fluxo intermitente de novas idéias, umas engatadas nas outras. Provocando e instigando mais  pensamentos, sempre indo além e aquém de nos mesmos. A boa leitura nos fornece subsídios para termos nossas próprias opiniões. Aprendemos a comparar, discernir, investigar, aprofundar os questionamentos e entrar em contato com o desconhecido. Avaliar nossas próprias idéias confrontá-las, provocando mudanças dentro do nosso modo de ver, pensar e viver. Através da leitura e da reflexão que ela promove aprendemos a nos conhecermos mais e melhor. Aprendemos a aprimorar nosso modo de relacionar com o outro e com o mundo
Por isso e por muitas outras coisas a leitura é tão importante. O hábito da leitura é antes de mais nada uma paixão, um gosto pessoal. Mas isso não exclui a possibilidade de se aprender a gostar de ler. O hábito da leitura é também um exercício de experimentações. Tentativas no caminho até encontrar o seu jeito, o seu estilo de leitura, o(s) seu(s) autor(res) preferido(s).
Em tempos em que a permanência dos livros versus a supremacia dos computadores se transforma em assunto polêmico e cotidiano, nos faz pensar na mágica da leitura. Apesar de adorar os livros de papel, não acho a questão tão relevante. Afinal, para quem ama a louca aventura de viajar através das palavras, das linhas de um livro jamais vai deixar de amar o exercício de fazê-lo não importa o meio usado para isso.

Adam, 3 de marco 2012.