quarta-feira, 2 de março de 2016

George Hendrik Breitner, Meninas de Quimono.





     The Red Kimono, 1896, George Hendrik Breitner. Stedelijk Museum Amsterdam



A alma feminina de Breitner
  
RIJKSMUSEUM, Amsterdam.
20 Fevereiro a 22 de Maio 2016.



A mulher e seus encantos. Beleza e mistério. Forca e delicadeza. Sensualidade e inocência.  Forcas contrárias e aparentemente antagônicas convivem em perfeita ordem no mundo interior das mulheres. Incógnita a ser desvendada por poetas, artistas e amantes. Seu fascínio sempre exerceu um forte apelo sobre os criadores e fazedores de arte. Monalisa e seu sorriso enigmático que o diga. A Vênus de Botticelli que encarna com graça e poder a figura feminina. A sensualidade explicita de Olympia de Manet, as musas coloridas de Matisse. E o que dizer das Madonnas de Leonardo da Vinci e Rafael...? São tantas  as mulheres icônicas e emblemáticas ao longo da história da arte que não faço justiça em tentar nomear apenas algumas.
George Hendrik Breitner é minha mais recente “descoberta” nesse vasto mundo das mulheres representadas na arte. Não propriamente uma descoberta porque já tinha visto Breitner antes e até mesmo uma(s) das suas Meninas de Quimono. Mas vê-las numa exposição pela primeira vez todas juntas, é uma overdose de beleza e fascínio, para os olhos e o coração. Sem falar na parte esteta que aprecia com delícia até mesmo os detalhes técnicos das obras e da história por trás das obras que nos conta a exposição.
Uma série de 20 pinturas, 13 Garotas de Quimono e um nu, que o Rijksmuseum de Amsterdam esta apresentando ao público.
Ao longo da exposição o espectador vai conhecendo um pouco mais sobre o artista, seu processo de criação e suas escolhas.  



Girl in a White Kimono, 1894, George Hendrik Breitner. Rijksmuseum, Amsterdam



     The Earring, 1893, George Hendrik Breitner (1857-1923). Museum Boijmans Van Beuningen, Rotterdam.




  Girl in a White Kimono, 1894, George Hendrik Breitner. Rijksmuseum, Amsterdam.



 A exposição é organizada através de  fotografias, desenhos e esboços do artista. Assim o espectador segue um caminho que o orienta no sentido de como o artista produziu as obras. Os quimonos como objeto de desejo vem de sua estada em paris em 1884 quando a moda era o Japonismo.
A partir dos esboços, registros nos seus cadernos e de fotos,  sabe-se que a maioria das Meninas de Quimono pintadas por Breitner é Geesje Kwak. Uma jovem holandesa da cidade de Zandaam, próximo a Amsterdam, que se mudou para a capital junto com a família no ano de 1880. Ela tinha entre 16 e 18 anos na época em que posou para o artista. Seu rosto delicado e corpo esguio e longilíneo contribuem para a peculiaridade das obras.
Poucos artistas conseguem captar com tanta precisão e riqueza o mágico universo feminino. Breitner vai além e atravessa as fronteiras do apenas visível. Perpassa a alma de suas mulheres-modelos trazendo á tona suas emocoes mais secretas e invisíveis aos olhares desatentos. Suas Meninas de Quimono são delicadas, suaves e até mesmo inocentes. Mas por outro lado exibem uma sensualidade voluptuosa e quente, implícita nos pequenos (grandes) detalhes. Nos gestos, na cabeça que pende lasciva sobre o sofá, no olhar lânguido que se revela, na imagem através de um espelho, nos gestos delicados de um momento íntimo da modelo que coloca um brinco diante do espelho. Elas conseguem nos transmitir uma gama de emoções que talvez só as almas femininas tem acesso. Tão simples, tão descomplicado e tão eloquente.






Geesje Kwak in Japanse kimono,1893-1895. G.H. Breitner, 16.8 x 12 cm. Universiteitsbibliotheek Leiden